Um galego e um Governador

Aqui na vida solteira, supermercado é uma vez por mês. Nada de doses homeopáticas e ir comprando aos pouquinhos. Faço o que eu não gosto logo de uma vez, então, pego os vales que pingam da firma e vou uma vez por mês no supermercado resolver a bronca. Acontece que esse mês eu fui no … Ler mais

Rico junta riqueza, pobre divide pobreza

Ser nordestino e imigrar para o Rio Grande do Sul é uma experiência parecida com ser índio e fazer um intercâmbio para Londres. A língua parecia outra, as gírias não faziam sentido algum — “capaz, meu” — e eu desconfiava que eles riam da minha cara toda vez que conversávamos. Talvez rissem mesmo, mas foi … Ler mais

Obrigado, CBF

Batendo duro no apoio de braço do sofá e tremendo de raiva, o Brasil tinha acabado de perder para a Noruega por 2×0 e estava eliminado da Copa do Mundo de seleções de 2026. Como economista, atirei logo para o primeiro incentivo que pensei: o salário do técnico e dos jogadores – como explicação para … Ler mais

Vó! Quanto tempo

Era tarde e não se pode culpar o sol e seu mormaço por nenhuma das cenas a seguir escritas. Seria um ultraje, no mínimo, culpar seus efeitos pela metafísica que circundou a estranha tarde de hoje. Mas, ainda assim, foi uma tarde que mereceu registro pela comicidade. Na calçada já se via a principal personagem … Ler mais

Obrigado, Clarice

Bom, então eis que eu estou no meu sossego aparente de ler algum livro enquanto ouço o barulho dos caminhões da obra ao lado dando ré que recebo o contato de uma amiga querida me chamando para sair. Mais que sair: ela queria companhia para assistir à peça “Simplesmente eu, Clarice Lispector”. De pronto aceitei, … Ler mais

Esse tal de Tolstói

Zé do Peixe sempre fora homem alto, esbelto e dos cabelos castanhos como a melhor aquarela poderia representar. Homem simples e respeitoso, ficou viúvo cedo e por respeito a sua amada falava: “tive duas mulheres nessa vida: mamãe e Elizete. Todas duas já se foram para nunca mais voltar. Mulher nenhuma mais eu vou desejar” … Ler mais

Em crise com os Sopranos

Precisamos falar — um pouco mais — sobre Família Soprano. Lembro com nitidez de quando a série me foi recomendada e de como ela era “necessária”, “essencial”, “obrigatória”, e de todos esses adjetivos exagerados que usamos quando nos apaixonamos por uma obra. Duvidei. Vi a megalomania de perto e recuei, mas resolvi dar uma chance. … Ler mais

Sua promessa

– Quer uma água, café? Tá meio ofegante, está tudo bem? – Olha, amor, aceito uma água e um café. Seria pedir muito? – Claro que não, já preparo pra ti. Tem um restinho de cafezinho coado da manhã. Aceita? – Claro. Expresso só me dá vontade de cagar. – Ha, ha, ha. É verdade. … Ler mais

Batatinha

É dia ensolarado de uma chuvosa segunda-feira. Não tenho grandes pretensões de acordar; o trabalho é só à tarde e no domingo entornei um vasilhame de vinho (ou até dois, não me lembro). Então, sonho, sonho com uma escavadeira e um caminhão dando ré e apitando para que se afastem dele. Sonho também com um … Ler mais

Autista e Borderline

Ao mesmo tempo que observo a minha geração, gosto de analisar a infância da anterior. E por um motivo simples: a pior geração é sempre a próxima. Então, achei que sentar e assistir a uma série consagrada dos anos 90 sobre questões familiares seria uma ideia promissora. Sento, rolo o catálogo e logo encontro uma … Ler mais