Vale uma corridinha?

Joe Biden, ex-presidente dos Estados Unidos, têm hoje 83 anos. Uma idade simbólica. Sempre tive a sensação de que depois dos oitenta, qualquer coisa é festa. Caso você caia duro no chão e faleça, vai ouvir na outra dimensão – caso ela exista – algumas frases afetivas:

– Vixe, tadinho. Morreu de velho.

– Pior, né. Já estava fazendo hora extra.

Hora extra. Quem entende o significado dessa palavra não pode a considerar um elogio. Se no trabalho, vai trabalhar mais horas e não receber por nenhuma delas. Se na vida, estão dizendo que você já passou da hora de morrer.

Mas, será que fazer hora extra é um caminho, necessariamente, negativo na Presidência de um país?

Joe Biden teve um caminho vergonhoso à frente da Casa Branca. Foi eleito na esteira do ódio à Donald Trump. O ódio e ardor que a população Estado Unidense sofria depois de passar quatro longos anos ouvindo discursos fascistas e vazios, deram lugar a um candidato melhor ponderado.

Ponderar é um verbo que sempre julguei interessante. Primo dos termos “dar nome aos bois” e “colocar pingo no i’s” esse verbo tenta dar razão ao caos. Situação essa que se encontrava o globo ao final de 2022 depois de um surto de extrema-direita. A gangorra não é recente. Depois de experimentar governos populistas, experimentamos governos fascistas. E agora estamos pensando mais.

Depois de passar muito tempo em um Governo um tanto estéril e pouco barulhento, ele caiu nas graças dos 80. Até eu, brasileiro – e que não guarda grandes afetos pelo norte da América -, sentia vergonha alheia. Sair desorientado depois de um discurso; cair da escada do Air Force One e esquecer discursos, são ações lamentáveis para o homem mais poderoso do ocidente. Mas, o que sobra para o mais poderoso da Latino-América?

É véspera de abril e as eleições de outubro já estão na boca. E a CNN estampou na minha cara e na televisão:

“Teria o Presidente Lula capacidade de assumir o Planalto por mais quatro anos?”

A pergunta é excelente porque topa no calo dele. Se Biden com 81, naquela época, já dava sinais de que não aguentaria – sendo chutado pelo próprio partido -, teria Lula a capacidade enveredar até os 89 anos a gestão da maior economia da América latina?

A resposta lógica, é não. Mas, se a lógica servisse para algo na política, ele não estaria no terceiro mandato. Com isso, a única certeza que temos é que ele irá concorrer e que já está com a chapa montada. Mais do que nunca, o Vice importa.

Se ele morrer, não será a primeira vez que um Presidente do PT apela para o seu Vice.

Espero que dessa vez seja amigo dele. E que suas corridinhas postadas no instagram sirvam de algo.

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