A caminho

Vire à esquerda, proa 180, no meio das nuvens, e paire.
Desça por baixo delas até sentir a chuva pingar.
Direita, esquerda, abaixo, mais uma vez —
e você vai sentir que chega.

Mantenha a aeronave alinhada: a pista vem.
Pela direita já se vê o oceano e as barraquinhas à beira-mar.
Pouse. O carro espera ao lado do hangar.
Siga reto e procure por ela.
Você sabe o que acontece se não a encontrar.

Há uma casinha de madeira no fim da estrada,
com um jardim de lírios e orquídeas.
Não é essa.
Mais quinhentos metros, e então — o destino.

Onde mora a mulher alta de cabelos loiros
e olhos que refletem o mar.
É ela quem esperou esse tempo todo.
É ela quem vai perguntar pela demora.

E você vai querer culpar o vento.
Não culpe.
Nela, pode pousar. Pode ficar.

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