E se…

O coração palpitante, o suor nas têmporas e a roupa que nunca ajeita no corpo. A notificação que chega é um chamado e a seguinte, um inimigo. Os calafrios são rotina e uma, duas, três crises de ansiedade também. Os pais moram longe e a rede de apoio está sempre furada — a cada semana, um amigo a menos.

E se eu tivesse estudado mais para o vestibular? Estaria formado numa federal, morando na capital do mundo, com um emprego que muitos venderiam a mãe para ter.

E se eu tivesse dado continuidade à academia aos quinze anos? Teria o corpo que queria e um problema diferente — ser o cafajeste que escolhe, não o estranho que espera.

E se eu tivesse escolhido amizades melhores no ensino médio? Não seria o problemático que brigou com todo mundo e hoje anda de bicicleta sozinho na praia.

E se eu tivesse sido mais paciente? Talvez hoje tivesse alguém ao lado.

E se eu tivesse escolhido meu curso mais cedo? Estaria inserido no mercado, formado junto com a minha geração.

E se eu fosse menos ansioso?

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