– Toma aqui: R$ 500,00
– Mas para que isso tudo, mãe?
– Você não queria ir ao puteiro? Com menos que isso, não vai conseguir fazer nada.
E foi assim que comecei a minha pobre e limitada vida sexual. Quando estava no alto dos meus 16 anos, todos tinham uma “ficante” e eu não tinha ninguém. Completamente isolado, tinha a meu lado os amigos do fumo, da festa, mas não conseguia arrumar garota alguma. Não sei se pela timidez ou pela falta de atrativos sexuais, eu apenas não conseguia.
Chateado, não queria depender de uma solução tão de longo prazo, mas uma que me permitisse dizer em alto e bom som: “EU NÃO SOU MAIS VIRGEM!”.
Pois bem, não pensei mais que duas vezes quando descobri que existia um lugar dedicado aos prazeres masculinos. Sim, um lugar onde eu seria o centro das atenções e eu não teria que me expor ao ridículo da rejeição de uma paquera tradicional. O problema? A grana.
Aí, não havia muitas opções mesmo para sanar o problema. Ou descarregava caminhão na padaria da esquina, ou ia pedir aos meus pais. A padaria da esquina pagava a estimada fortuna de R$50,00 para cada carga descarregada. Faça as contas e saiba pelo início desta prosa que seriam necessários 10 dias de trabalho duro! A outra opção? Falar com meus pais.
Meu pai, limitado e antiquado quanto a seus impulsos sexuais, comeu, na vida inteira, uma gorda e minha mãe (coitada). Os prazeres da vida lhe são limitados pela mente, e eu sabia que a abertura para tal fim seria diminuta – para não dizer nula. O que restou? Falar com mamãe.
– Mãe, a situação é a seguinte: meus amigos me chamaram para ir à zona. A senhora sabe o que é isso?
– Sei, meu filho. Seu avô ia muito! Chamavam de bordel antigamente.
– Pô, mãe. O que é que rola lá? Estou meio receoso de ir.
– Sexo! Mas é caro e aquelas mulheres da vida, ah!, elas são perdidas.
– Quanto é?
E o início do texto já responde à sua pergunta.
Orgulho? Não, nenhum. Arrependimento? Menos ainda.
Eu sempre fui do time que acredita que é preciso conhecer a dimensão da vida antes de se julgar conhecedor dela. O lugar era bacana e eu cumpri meu objetivo.
É, no entanto, no cair daquela chuva fina de inverno de São Paulo que vejo o peso de cada decisão. O sentimento que me levou até lá e os comportamentos que desenvolvi em todos esses anos como uma consequência disso.
No fundo: o outro, o outro e mais do outro.