Stalk

Um panapaná de borboletas infesta o meu estômago. Uma pontada daqui e outra dali; era difícil até caminhar. Aquela queimação incessante e aquela enxurrada de pensamentos na cabeça me puxavam para dois lados. Não é fácil lidar com um futuro que nunca existiu. Olho para o bolsão da mochila e vejo a solução ali, brilhando … Ler mais

Malbec Black

Olho para a minha dispensa e vejo que disponho de pouco mais de onze cervejas e alguns biscoitos. Apesar de solteiro, penso que posso fazer melhor do que isso e decido que deveria comprar alguns grãos e misturas. O supermercado da esquina é caro, mas é na esquina. Como era pouca coisa, valia o sufoco. … Ler mais

Eu não me imagino,

Eu não me imagino, Se o senhor ou senhorita já está cansado das crônicas de mudança, sinto lhe dizer que ainda tenho algumas palavras a declarar. Não se deixe levar pelo cansaço, vamos, é só mais essa – ou não. Mas fato é que quem já se mudou sabe que encaixar todos os móveis num … Ler mais

O Bahia

Ainda nas crônicas da mudança, percebi uma coisa que ninguém avisa: São Paulo também pode ser gostosa. Não pela calmaria — isso aqui não tem — mas pelas pequenas intimidades que a cidade te dá sem compromisso. E que, quando somem, derrubam a gente como se fossem grandes. Cheguei no início de 2025 desconfiado, pouco … Ler mais

A Janela

Mudei de janela. Saí de uma pequena — já domesticada por uma cortina — e fui parar numa varanda maior, nua, sem tecido nenhum para me lembrar de que dentro é dentro e fora é fora. Em São Paulo, essa diferença é mais teórica do que prática: abre-se a janela e, além da rua, abre-se … Ler mais

A crônica do descobrimento

Nauseado e tonto com o acordar das 6h da manhã, começo mais um dia. O pique aqui em casa começa cedo mesmo: às 7h começa a aula e às 8h começa o turno do serviço que traz o sustento. Acordar nesse horário já era um luxo fruto de negociação materna; o certo mesmo seria às … Ler mais

O Master e as pombas

Perambulando pela Faria Lima em busca de uma boa crônica para você, dou de cara com a fachada do Banco Master — aquele mesmo que oferecia investimentos a taxas superatrativas, onde você talvez tenha colocado alguns caraminguás em busca de um bom retorno. Na porta, não poderia haver cartaz mais depressivo: “Liquidação extrajudicial decretada pelo … Ler mais

Mulher dama

A mulher-dama é dona da profissão mais antiga do mundo. É a mulher que faz a festa dos casados e mata a carência dos solteiros. Por alguns (muitos) trocados, negocia qualquer coisa: um baseado, um fetiche e até um cafuné no cabelo. Conheci uma dessas mulheres: alta, um metro e oitenta; loira, de olhos verdes … Ler mais

O peso do envolvimento

Atordoado pelo som estridente da buzina de um carro, seguido de um grito qualquer no trânsito, me pego ouvindo a vida alheia em um desses barzinhos de esquina da avenida Paulista. Ao lado, duas moças muito bonitas e chamativas. Ao longo da conversa, fui entendendo melhor qual era a profissão delas. E o que as … Ler mais

Os espelhos da paulista

Degrau após degrau, cheguei enfim ao térreo do edifício Sesc da avenida Paulista. A espera por qualquer um dos cinco elevadores parecia infinita, e minha barriga precisava de um pouco de exercício. No saguão, olho o GPS e descubro que, virando à direita e caminhando cento e cinquenta metros, chego a uma fonte de água … Ler mais